quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Robin Williams: equivocado?


O Brasil é um país perfeito. Tão perfeito e tão melhor do que outros países que se vê no direito de zuar, sei lá, os portugueses. Até onde a gente sabia, o Brasil não era motivo de piada em nenhum lugar do mundo. Mas... eis que surge Robin Williams e resolve fazer uma piadinha que, querendo ou não, serviu para baixar um pouco a nossa bola.

Falar que o Rio só será a sede das Olimpíadas porque levou “50 strippers e meio quilo de pó” foi exagerado e inconveniente, mas, fato é que essa é a visão que se tem do Brasil em outros países. Já ouvi e já falei também inúmeras vezes que o pessoal que quer vir pro Brasil acha que vai encontrar macaco pulando na estação de metrô e encontrar gente “hablando brasileiro”.

As notícias que saem quando alguém joga “Brazil” no Google, alem das belas terras e um convite para o turismo, são apenas sobre o carnaval, as gostosas e o morro. Como um gringo pode ter consciência de que o país é mais que isso se essa é realmente a imagem que os veículos de comunicação passam para eles? A imprensa, e o povo que dá atenção para o tipo de notícia do tipo “Nana Gouveia ensaia para ser a Madrinha do Carnaval”, é justamente quem achou que Robin Williams foi INCORRETO.

Ninguém conhece o Brasil como ele deveria ser conhecido porque não é assim que ele é mostrado lá fora. Eu gostaria de saber qual é o tipo de beleza e comportamento exemplar no Brasil pode ser divulgado lá fora para que as pessoas tenham respeito pelo nosso país. Por enquanto, o que temos são escândalos políticos, gente roubando nosso dinheiro, arrastão por toda parte e, ah, como me esquecer, estudantes em nível universitário chamando uma menina de puta porque ela foi à aula com um vestido curto. Aliás, esta é a última notícia de RELEVÂNCIA publicada sobre o Brasil pelo mundo.

Então, twitteiros, blogueiros, nacionalistas de plantão e todos que acharam a atitude de Robin Williams uma vergonha e uma falta de educação: não vamos agir como o esperado pelo mundo, com socos e ponta pés, mas vamos assumir que se somos tachados por isso, é porque há algo de errado, e tentaremos arrumar, ao menos em alguns aspectos, a porcaria de imagem cultural que o Brasil tem lá fora.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rio 2016: bem vindo à alienação

Ok, o assunto já ta velho e todo mundo está sabendo que o Brasil vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Legal, bacana, CRÉDITOS para o país.
Copacabana, Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2009, ponto facultativo. Dois grupos musicais e centenas de milhares de pessoas estavam lá, sem estudar, sem trabalhar. Olhando no telão e esperando a confirmação que veio logo mais: O Rio vai sediar as Olimpíadas de 2016. Festa, música, comida de graça. Lula chorando de emoção.

Vamos viajar um pouco para o futuro, lá por 2014, ou até 2015, quando com certeza uma série de obras estarão a todo vapor, certamente todos estarão se perguntando porque o preço das coisas subiu tanto, ou alguma CPI será aberta em 2017 pra saber pra onde foi o dinheiro. Superfaturação de obras, desvio de verba, essas frases que já estamos acostumados a ouvir.

Porém, não adianta culpar o governo brasileiro, que riu e chorou de emoção, já que mais uma vez vai rolar uma roubalheira por baixo dos panos da bandeira brasileira. O que me incomoda não é nem isso... é o fato de as pessoas comemorarem algo que elas nem sabem qual é a importância e que elas quem vão pagar por isso. O pessoal do morro, ou outras pessoas que moram na periferia, sequer vão poder chegar perto do estádio pra assistir qualquer jogo, porque o preço dos ingressos, como sempre, será um absurdo.

Antes de comemorar porque uma cidade carente de organização, transporte e principalmente educação e segurança será a sede das olimpíadas, 100 mil pessoas também poderiam se reunir na passeata do #FORASARNEY, que infelizmente não consegue numero de pessoas suficiente para ser classificada como uma movimentação em massa.
Valeu brasileirada, mais uma vez tampando o sol com a peneira. Peguem suas caipirinhas, preparem seus silicones e os pandeiros. VAMOS COMEMORAR.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A vida na tela

Controle na mão. Bunda no sofá. Vida na tela.
Alguém consegue entender pra que rumo estamos caminhando?
Eu resisti, mas é impossível hoje você nao acessar sua conta do banco pela internet. Ir na agencia, pagar contas, comprar DVDs, escolher um filme pra alugar. Tudo isso dá pra fazer daqui, sentado no sofá e acumulando calorias e neurônios sem funcionamento nenhum. Eu tenho um pouco de medo que a evolução natural leve a próxima geração a nascer com dois neurônios, só programados pra mexer em máquinas e apertar botões.
Hoje sua vida tá no seu computador. Centenas de e-mails importantes, contato e reunião com gente que você nunca viu... ninguém compra mais vinil, ninguém compra CD. Em 10 minutos voce tem a discografia completa dos Beatles, que a minha mãe levou tipo uns 10 anos pra conseguir.
Não importa se vc nao gosta de internet. Vc está nela. "Ahhh, mas eu não tenho Twitter, nem Facebook, e nem Orkut". Basta vc ter uma fotinho, ou ter sido filmado. A privacidade das pessoas acabou assim que a rede foi criada. Ninguém está livre da exposição. Um exemplo; o twitter serve pra vc colocar seus pensamentos, porém, vc nao pode escrever tudo o que pensa, pq seus amigos, parentes, seu chefe, sua vó, qualquer um pode ver e se assustar com algum comentário que possa ter feito.
Minha dica é.Já que ninguém sabe usar isso com a cabeça, o negócio é papel e caneta, e guardar dinheiro embaixo do colchão.

♫ - Cachorro Grande - Dance Agora (inspiração pro post - RECOMENDO!)

domingo, 13 de setembro de 2009

Beirut

Era só entrar no Via Funchal no dia 11 de setembro que dava pra ver uma imensidão de cadeirinhas vermelhas que estavam esperando os fãs da banda Beirut pra um espetáculo que prometia uma diversidade de talento e instrumentos.

Zach Condon, o vocalista, se dividia entre seu trompetinho e um ukelelê, um tipo de cavaquinho do Havai com um som mto simpático. Além dos dois instrumentos exóticos, os outros integrantes do grupo trocavam trompa, baixo acústico e mais um instrumento de bater muito legal que eu não sei o nome e também não pesquisei.


Se revezando entre frases em inglês e português, o vocalista foi além da expectativa do público e mostrou empenho em tentar aprender a língua do país em que estava. Quando o público pediu por Leãozinho, música que o cantor gravou há tempos e tocou no Rio de Janeiro, Zach ensaiou um começo, porém confessou em uma voz tímida logo após "I forgot the lyrics". Porém, a banda compensou a plateia com uma apresentação de "Aquarela do Brasil", que chegou perto da perfeição, além do cover de La Javanaise, de Serge Gainsbourg, que também foi um dos pontos altos da noite, assim como as canções, Nantes, a popular Elephant Gun, Gulag Orkestar e Siki Siki Baba, uma canção turca, que na minha opinião foi uma das melhores da noite.

O povo se levantou, cantou junto, gritou "óóóóóóhn" cada vez que Condon tentava falava português e no final tentou subir no palco, onde foram proibidos pelos seguranças mesmo com a banda deixando claro que queria o povo lá em cima.

Um espetáculo de cenário e instrumentos. Vale a pena ver quando voltarem, coisa que não deve demorar, já que o show foi um sucesso e os ingressos acabaram SEMANAS antes do show.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gripe suína: porcos alienados e a mídia assustadora

Eu gosto muito da mídia porque ela consegue mexer com a cabeça de todos. Mais do que aguçar a curiosidade de alguns, o que eu mais gosto de observar é como a mídia age na cabeça dos alienados. Não acredite? Pergunte para todo mundo que você conhece se elas estão com medo da INFLUENZA A, a tal gripe suína (BÚ!). Certamente a maioria delas irá dizer que está aterrorizada e que "é melhor se prevenir, né".
Pois bem. Vamos relembrar os fatos. Em 1997, Hong Kong alertou a todos que um caso de gripe A havia sido detectado. Era o vírus H5N1, que ficou conhecido como gripe aviária. A OMS soltou inúmeros alertas, e o então presidente dos EUA, George Bush, NUM ATO DE PURA PREOCUPAÇÃO COM O POVO AMERICANO, avisou que iria destinar 1200 milhões de dólares para o desenvolvimento de um medicamento que iria salvar diversas pessoas. Porém, os dados que eram previstos para o futuro era alarmante: 2 milhões de americanos iam morrer, e 7.4 milhões de pessoas no mundo todo iriam morrer de gripe aviária.
Então, o presidente da companhia biofarmaceutica Gilead Sciences, Donald Rumsfeld, lançou no mercado um medicamento capaz de curar vários tipos de gripe. O medicamento, chamado TAMIFLU, patenteado ainda em 1996, era procurado por diversas pessoas desesperadas pela prevenção. Dos dois milhões de mortos que Bush esperava para a gripe aviária, nenhum americano morreu. No mundo, sabe quantas pessoas dos 7.4 milhões esperados morreram? 272 pessoas. Muuuito menos do que vítimas de sarampo, pneumonia, gripe comum e até diarreia.
E olhem que coincidência: Donald Rumsfeld, então presidente da companhia biofarmaceutica, foi nomeado foi nomeado por George Bush como secretário de defesa da primeira presidência. Ou seja.
Em 2009, a gripe aviária foi esquecida pela população e o tamiflu ficou empacado em prateleiras de farmácia. Eis que chega uma salvação: H1N1. Será que é certo manter a sociedade em alerta por causa de uma gripe igual as outras, justa e unicamente para comercializar um remédio que pode até causar problemas neuro-psicológicos?
Será que correto manter a sociedade sob paranoias e desespero, vendendo alcool gel desesperadamente?
Aos que resistirem, e ficarem vivos aos ataques mortais da gripe do porco assassino, resta aguardar pra ver qual será o próximo bicho que irá protagonizar o desespero da espécie humana através da mídia, do governo e do comércio.

Informações baseadas na pesquisa da Julián Alterini
Para saber mais, veja o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=P33L_6vGRBI&feature=related

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

(Im)perfeições (des)necessárias

Só um P.S antes de começar esse post. POR ALGUM ACASO DESSA VIDA, eu devo ter deixado meu blog logado em algum lugar por aí e então surgiu um post, em um inglês safado, sobre um assunto que eu não faço a menor ideia de qual seja. Portanto, exclui.


Ligue a TV. Assista a um canal. Agora mude para outro, outro e outro. OK.
Peles perfeitas, cabelos lisos e corpos enxutos. Rostos maquiados, dentes brancos, roupas limpas, aparentemente cheirosas e muito, muito caras.
Espere a publicidade; sabonete íntimo, shopping, celular, maquiagem, sapato e mais uma infinidade de coisas que querem te deixar parecida com a mocinha da novela. Cabelereiros frisam que a última tendência é cortar a franja e pintar de verde, já que a personagem principal da novela das 8 é um arraso com esse corte.
Vamos desligar a TV e olhar no espelho. Vale a pena tentar mudar sua imagem? Todo mundo levanta a bandeira da vaidade, porém é fácil enxergar um tipo de fuga nas pessoas que anseiam por um corpo perfeito, olhos, cabelos, pele e unhas impecáveis.
A imagem de pessoa perfeita não vai ser nunca alcançada por NINGUÉM. E SE for alcançada, vão criar outros produtos que irão fazer crescer três peitos, 2 pintos, sei lá, alguma coisa que o povo vai ficar ligadão e tudo termina em apenas uma palavra. consumo, consumo, consumo. Que não vai levar a lugar nenhum.
Emocionante viver aqui.


♫ - Glen Hansard and Marketá Irglova - Falling Slowly

domingo, 26 de julho de 2009

Muito tempo depois...

Voltei. Menos emo, menos simpática e mais decidida também.
Não totalmente, admito. Acho que a minha falta de rumo para os próximos meses e anos anda me fazendo mal, porque tô com muitas dúvidas sobre o que fazer a hora que a acabar a faculdade e tudo mais. A faculdade vai acabar e não tô a fins de não ter outra preocupação a não ser o estágio, que se o bom menino Jesus permitir vai se transformar em emprego.
Pois bem. Eu não curto muito falar sobre a minha vida pessoal nesse blog, mas eu acho bom debater sozinha sobre um assunto que tô pensando muito ultimamente. O ócio.
Na verdade o medo do ócio, né. Já pensei em sumir uns 3 meses pela Argentina, Londres e Nova Zelândia. Já pensei em abandonar tudo e começar uma parada com música que eu acho que rola demais. Mas eu curto o jornalismo. E curto lá o meu estágio. Portanto viajar, out of plans.
Depois de tanto pensar, descobri que o discurso que eu carrego há anos de que a sociedade está corrompida e todo mundo vive medindo seu sucesso profissional e pessoal através da porra dos parâmetros impostos pela própria sociedade me engoliu. Eu estou preocupada com os tais parâmetros. E não é voluntariamente, é meio que automático. Fazer planos pra mim, pensar em ganhar dinheiro, pensar em casar e até em conquistar uma independência é legal, mas não é legal quando você tem 21 anos e quer conseguir tudo isso até os 22.
Paralelo a esse assunto da minha brilhante profissão de jornalista com diploma, tá o esculacho da minha vida pessoal. Tudo desorganizado, sem tempo pra falar com os amigos e quando falo, no outro dia preciso ir embora porque "segunda tem que trabalhar". Também tem uma pendência jauense que se eu resolvesse logo seria um abraço na minha alma. Mas não é difícil, é muito foda. Até porque não depende só de mim. Aliás, depende uns 30% de mim, porque, tamo aí na atividade, né... agora os 70% que faltam é que tá demorando pra ver se vai, ou se fica.
Pois bem... não tinha semestre melhor pra eu resolver surtar, eu sei. Tudo pra rolar uma adrenalina, no fim do ano eu ficar maluca e me matar de beber na minha formatura porque eu sei que eu me matei de fazer trabalho durante 4 anos.
Mas esse mês meio que eu tô marcando pra começar uma reforma. Tudo novo, incluindo esse meu modo cuzão de enxergar a vida. Que vai sair da minha cabeça nem que eu tenha que fazer uma lavagem cerebral. É isso. Tô preparando, não sei pra quando, mas sinto que surpresas virão. Torço pra que sim. Axé.